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Costanza Pascolato
A italiana Costanza Pascolato chegou ao Brasil com 5 anos, nos anos 70 trabalhou como consultora de moda na Revista Claudia. Foi do primeiro casamento, com o banqueiro americano Robert Blocker, que nasceram suas duas filhas.
Em 1986, com a morte de seu pai, Michele Pascolato, Constanza tomou à frente da Santa Constância, tecelagem da família que fornece tecidos para os estilistas mais importantes do Brasil. Nos anos 90 ficou viúva do italiano Giulio, com quem se casou pela segunda vez.
Constanza esteve em Salvador para o lançamento do seu segundo livro #Como ser uma modelo de sucesso# e bateu um papinho com a gente.
Ibahia: Como surgiu a idéia do livro?
Constanza: Eu trabalhei por 18 anos na editora Abril e sempre com modelos, esse livro vem dessa experiência. Ser modelo é o novo sonho de Cinderela da menina brasileira. Os meninos querem ser jogadores de futebol e as meninas modelos, tanto que nós fizemos varias comparações desses dois sonhos. O livro é pequeno para que as meninas possam levá-lo na bolsa e tem um texto simples. Minha intenção é que esse livro fosse também um conselho para qualquer adolescente que vai ter que enfrentar uma vida com um pique danado, vai aprender muito em pouco tempo. O livro explica que a vida no mundo da moda não é fácil, que a modelo vai ser um produto, vai abandonar de certa forma, a adolescência para ir em busca de um sonho, que é ser famoso.
Ibahia: Muito se fala de que o mundo da moda é traiçoeiro, que as meninas trabalham muito e a carreira acaba logo. Quais as dicas para entrar no negócio da moda?
Constanza: O primeiro passo é procurar uma boa agencia, depois conversar muito com a família, fortalecer seu desejo, sentir que tem coragem para enfrentar tudo, pesar os prós e contras. O importante é ter equilíbrio, estar centrado, e o diálogo ajuda muito.
Ibahia: Como você iniciou sua carreira na moda?
Conztanza: Comecei na década de 70, por muito tempo fui vitrinista, mas não me pagavam, aí eu comecei a fazer lustres. Depois de um tempo fui bater na porta de uma amiga que fazia produção de decoração e cozinha para a Revista Cláudia, eu falei para ela #eu vim aqui para ser produtora# , no início ela não me deu muito crédito. As pessoas pensavam em mim com uma dondoca e na verdade eu era, mas eles não sabiam que eu #trabalhadeira#, aliás nem eu sabia disso. Comecei fazendo produção de moveis e cozinhas na Editora Abril, depois como eu vestia #legalzinha#, gostava da linguagem de moda, fui chamada para trabalhar nessa área.
Ibahia: O que você acha dos estilistas estarem se inspirando em décadas passadas?
Constanza: As décadas de 50, 60 e 70 foram épocas fabulosas, tudo o que tinha para ser criado já foi feito. O grande diferencial agora é a tecnologia.
Ibahia: Como você vê o atual cenário da moda brasileira?
Constanza: Finalmente foi reconhecido. O Brasil é um celeiro de idéias. A confecção ainda deixa um pouco a desejar, ainda não tivemos tempo de aperfeiçoar. Quem quiser fazer sucesso no Brasil, além de fazer todo o marketing, que já tá elaborado e tem que continuar sendo feito, tem que aperfeiçoar a modelagem, o que significa entrar numa roupa e se sentir feliz de verdade. É por isso que agente fica usando roupas com materiais elásticos porque ela entra mais fácil. Que o Brasil entrou no mapa da moda, sem dúvida. Os olheiros que levam idéias para os grandes centros vem para cá regularmente. Os Fashion Weeks, que surgiu com o Paulo Borges, também contribuiu muito.
Ibahia:Quando alguma tendência de destaca todo mundo usa. Qual seria a dica para estar na moda e se destacar, ser diferente?
Constanza: Como tudo na vida, primeiro é preciso ter bom senso. Outra coisa que ninguém é obrigado a usar nada. A grande equação deste século é a massificação versus a personalização, a vontade de fazer algo, usar algo. A vontade, por enquanto , só existe em cidades metropolitanas, em outros lugares a vontade é meio de grupo, assim como existem grupos jovens, tribos, hoje existem grupos que se vestem igual, freqüentam os mesmos lugares, acabam sendo diferentes, mas é quase igual. A massificação não é um ponto negativo, ela existe nas lojas, a escolha é que é individual. |