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Por: Luiz Augusto Gollo
Data: 28/10/2005
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Sim, não, talvez....

Em pleno tiroteio (epa!) sobre o referendo de domingo, assalta-me (eita!) a dúvida: proibir resolve? Nem quero adentrar o pantanoso terreno dos méritos de lado a lado, mas tão-somente levantar a singela questão respondida de maneira fulminante (opa!) por Caetano Veloso nos idos da TV em preto e branco com a composição "É proibido proibir". Cantava ele, então, logo no comecinho da música: "A mãe da virgem diz que não...", e de lá até hoje o que aumentou o número de meninas mães não está no estatuto, seja da criança e do adolescente, do idoso, do desarmamento ou da gafieira.
Sabido que cresce de maneira vertiginosa a quantidade de acidentes de trânsito e suas vítimas jovens em todo o país, não seria, talvez, o caso de realizar outro referendo, para determinar se queremos ou não que o governo proíba a fabricação e venda de veículos? E considerando que boa parte dos acidentes são causados por embriaguez ao volante, que tal outra consulta popular sobre a conveniência de também proibir a importação, a fabricação e a comercialização de bebidas alcoólicas? Cada brincadeira dessas de levar todos nós às urnas sai por uns 250 milhões de reais aos cofres públicos - os mesmos de onde saíram os 8,5 milhões gastos este ano em ações oficiais pela segurança pública no país.
Sugiro, ainda, plebiscitos sobre sogras e seus efeitos colaterais, cunhados em geral, cachorro em apartamento, chefe mal humorado, enfim, sobre uma infinidade de temas recorrentes na vida da gente comum, como nós. Pode não resultar em coisa alguma para o bem geral da sociedade, mas a diversão estaria garantida, e iríamos ao cinema depois de votar, à praia antes de votar, almoçar na casa da mamãe e tentar fazer a cabeça dos outros sobre o voto...Além do que, cá pra nós, ficaríamos um pouco alheios à chatice geral da nação, não é mesmo?

 
Luiz Augusto Gollo não adianta o voto no referendo nem com uma arma apontada para sua cabeça.
   

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