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Por: Luiz Augusto Gollo
Data: 01/09/2005
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Invasões bárbaras

A Universidade de Campinas acabou com a prova de francês no vestibular. Não faz a mínima diferença para mim, é a mesma coisa do Instituto Rio Branco retirar o caráter eliminatório da prova de inglês para os candidatos a diplomata. No seu próprio idioma, as pessoas estão se entendendo cada dia menos, que dirá nas conversas com estrangeiros. Mas me chamou a atenção na notícia publicada na Folha de S. Paulo a justificativa para a mudança: dos 52 mil inscritos no último vestibular, somente 62 optaram pela prova de francês, e desses meros 16 entraram para a universidade. Isto quer dizer que de todos aos quais foi proposta a opção de escolha entre as duas línguas estrangeiras, pouco mais de 0,01 por cento escolheu a francesa.
Houve um tempo que agora percebo muito remoto em que a influência do francês foi muito superior à do inglês; nosso vocabulário cotidiano estava repleto de sutiãs, sumiês, choferes, madames, capôs, matinês, abajures, divãs e sedans. Era tão predominante o uso dessas palavras que ninguém falava ou escrevia seus correspondentes em português, como porta-seios ou quebra-luz. Era muito mais "chic" afrancesar a língua e fazer biquinho.
Como já se perderam na memória os verdes anos das prostitutas francesas no Rio de Janeiro e sua inegável intromissão nos usos e costumes dos varões da pátria, hoje nos entregamos abertamente à colonização americana que se impõe menos pela cultura do que pela economia de mercado. Trocamos o "savoir faire" pelo "know how" e saímos perdendo, é claro. A invasão bárbara é tão descarada e bem sucedida que se não fosse pelo futebol, pelo vôlei e uma ou outra modalidade esportiva ocasional, talvez já tivéssemos adotado as cores da bandeira americana (por sinal, as mesmas da francesa). É um tal de "hot-dog" pra lá, "happy hour" pra cá, "open house", "fast food", "free", que estamos todos nos tornando bilíngües na marra, embora cada dia mais analfabetos no bom e velho idioma português. Noel Rosa foi profético, nos anos 30, quando cantava "o cinema falado é o grande culpado da transformação..."

 
Luiz Augusto Gollo é do tempo em que a escola ensinava análise sintática e redação era tão comum quanto leitura e interpretação.
   

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