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Por: Luiz Augusto Gollo
Data: 30/08/2005
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Falando nisso...

Qual é a coisa que mais te chateia? perguntou alguém na mesa do Beirute, no momento em que a bola laranja se escondia atrás dos prédios e a noite tingia o céu em cima das embaixadas. Como assim? Chateia como? Que tipo de coisa? Vôo atrasado, pneu furado, fila no supermercado - aliás, fila em geral...tanta miudeza tem a terrível capacidade de chatear, aborrecer, "estragar o dia", como dizem os pessimistas e fatalistas. Por exemplo, você sai de manhã pro trabalho, amiga leitora, toda arrumada, banho tomado, o maior cuidado com o cabelo feito ontem no salão à base de sacrifício e grana, e antes mesmo de entrar no carro um passarinho qualquer solta um barro bem no meio da sua cabeça. Qualquer não, um pombo grande de olhar sonso e dissimulado. Não é de matar de ódio?
E molho de macarrão na gravata nova, que você, caro amigo, está estreando hoje, pura seda, italiana legítima, presente do chefe? E ele vai perguntar por ela, com certeza, mas a mancha a terá inutilizado, a terá transformado num pedaço de pano nobre porém inútil.
Ou que tal dar um jeito no pescoço quando você está dirigindo? Vai passar o resto do dia, talvez mais, de cara virada, olhando de lado, dando a impressão de que se acha muito superior, quando na verdade está é com raiva do mundo.
Conforme as idiossincrasias pessoais (com o perdão do pleonasmo), os presentes à mesa discorreram sobre pequenos incidentes cotidianos, até que alguém partiu para comportamentos desagradáveis e a conversa degringolou, tomou ar daqueles passatempos sociais tipo "jogo da verdade".
No embalo da cerveja, do uísque e da caipirosca vieram à superfície os piores defeitos do comportamento humano sem que, no entanto, alguém vestisse a carapuça, o que salvou a noite. Mas um lembrou o jeitão do Jefferson mentir como se dissesse verdades absolutas; outro falou da mania do Delcídio com santinhos, santos e santarrões; alguém mais citou o ar blasé do Delúbio como um dos piores defeitos da personalidade; até duvidaram da cara de traído do Lula na televisão - enfim, foi um desfile de menções mais ou menos desairosas, até que retomei o fio da meada:
- Pra mim, não tem nada mais chato do que vir ao Beirute pra falar de política.

 
Luiz Augusto Gollo conseguiu bater papo com uns amigos em torno da mesa do bar, sábado passado, sem ninguém falar de PT e crise no governo.
   

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