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Charme, sensualidade e emoção. Eis a Dança Flamenca!
Nada mais impróprio do que se definir flamenco como um mero estilo musical. Esse termo compreende muito mais do que um estilo, ou uma modalidade de dança. Trata-se de uma expressão cultural, que pode ser reconhecida como símbolo do povo cigano, e que envolve considerações acerca dos elementos que o compõem e do processo evolutivo que vem experimentando desde suas origens inexatas até a contemporaneidade. É inegável que o flamenco assumiu expressão artística, que pode ser situada em qualquer tempo e mesmo em qualquer cultura, estando sujeito à evolução constante, porque é vivo.
Recolhendo influências hindus, árabes, judaicas, gregas e outras mais, incorporadas pelo povo nômade em sua história, desde que saíram da Índia até chegarem ao Sul da Espanha, fundiu-se o flamenco dos ciganos - estabelecidos, então, nesta região.
A forma mais primitiva do flamenco é o cante. No cante flamenco são expressos todos os lamentos e alegrias, nele revelando-se a poesia e os sentimentos arrancados em voz dilacerante. Mais tarde, introduziram-se outros elementos acompanhando o cante: a guitarra, o baile, as palmas, o sapateado. A medida que o flamenco extrapolou os limites do folclore, foram permitidas inovações advindas da técnica e da modernidade e, ainda, a difusão da dança entre os não-ciganos.
Porém, mais importante que sua história e suas técnicas, o Flamenco é uma atitude, é a manifestação da alma de uma pessoa. Ser Flamenco é colocar para fora sentimentos e emoções trancadas e as compartilhar através da música, do cante, do baile e dos "jaleos". Flamenco é antes de tudo emoção, sentimento, expressão interior e prazer!
O ato de dançar significa recriar o movimento. Descobrir as possibilidades do corpo de redesenhar no espaço, liberto da automatização dos movimentos cotidianos. Nossos referenciais - às vezes responsáveis pela resistência corporal em aceitar uma nova concepção - impedem uma nova leitura do movimento. Essa aceitação dependerá de nossa afinidade com a linguagem expressa, muito mais do que nossa crença na capacidade física, que pode ser superada na medida em que conhecemos essas limitações e nos empenhamos em transcendê-las.
Buscar nosso melhor, reconhecendo nossa trajetória, é atingir o nosso "movimento mais perfeito" e este não se refere, em termos comparativos, a um movimento único de perfeição, mas apenas ao movimento que representa nosso processo de crescimento, tendo em vista que existe uma quantidade de perfeições tanto quanto existem seres vivos. Assim, a dança poderá contribuir de uma forma mais prazerosa para nosso crescimento se for entendida como um processo individual de reconhecimento interno e criativo, redimensionando suas possibilidades de aplicações e objetivos.
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