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ALÔ, MÃOS AO ALTO!
Surpreendentemente, o público não está dando importância ao novo sistema de cobrança da telefonia, e deveria, pois se trata do maior "assalto" oficializado nas últimas décadas. Entenda como será o golpe:
COMO É HOJE
Atualmente, as telefônicas cobram um pulso ao completarem cada ligação e outro a cada quatro minutos da continuação da conversa. No final do mês, somam os pulsos e obtêm o valor das contas, ao qual são acrescidos 40% de impostos - ICMS, PIS e COFINS.
COMO FICARÁ
Pela nova fórmula, a cobrança será por frações de minuto e não "por minuto", como tem sido divulgado. Aqui começa a safadeza: as telefônicas e a Anatel estabeleceram o período de 30 segundos como tempo normal (?!) de conversa e, se a ligação ultrapassar este piscar de olhos, o papo excedente será tarifado a cada seis segundos - tempo que você levou para ler as últimas palavras desta frase (rapidinho, não?). Ah, e mais os 40% do governo, naturalmente.
Se o usuário for rápido como "The Flash" e conseguir desligar antes de concluído o minuto, parabéns, o governo promete que o preço da ligação será pouco mais barato que no sistema atual. Mas se for um cara normal e exceder os 60 segundos, não tem perdão: pagará mais que o dobro do que desembolsa hoje. Se o indivíduo for gago, imagina-se que irá à falência.
As mudanças determinadas pela Anatel só aliviarão o raro consumidor que faz ligações-relâmpago e vão onerar absurdamente quem falar por mais de um minutinho. Na prática, isso fará as empresas e o governo dobrarem seu faturamento, em contas e impostos, da noite para o dia. É o negócio do século, deixará o mensalão no chinelo e - que coincidência! - num ano eleitoral.
ASSINATURA BÁSICA
O valor da assinatura mensal continuará o mesmo, mas a franquia será a metade, embora pareça ser o dobro. Mágica? Não, é simples: hoje, a franquia é de 100 PULSOS, o que representa, grosso modo, até 400 minutos de conversação; na nova regra, a franquia passa para o dobro, 200 MINUTOS, que dá para falar por 200 minutos mesmo.
Traduzindo: dobraram a franquia numérica de 100 para 200, mas ao trocarem a medida de pulso para minuto, o tempo real foi reduzido pela metade. Estão roubando 50% de nossa franquia ou, indiretamente, aumentando o preço da assinatura em 50%.
HORÁRIO DE TARIFA REDUZIDA
Mas o assalto ainda não acabou: no famoso horário reduzido (de meia-noite a seis da matina), hoje paga-se um pulso por ligação, independentemente do tempo utilizado; na nova modalidade, se pagará o equivalente a dois minutos por ligação. Feitas as contas, fica claro que estaremos pagando oito vezes mais pelo telefonema efetuado nos períodos de tarifa mínima.
E se você considerar estas ligações dentro da nova "franquia", o aumento real é de 16 vezes o valor atual do telefonema. Nem ao horário da madrugada o público poderá recorrer para aliviar a conta. É um roubo escandaloso, disfarçado por regras obscuras e cálculos confusos demais para o cidadão comum. Para ele, sobra, literalmente, pagar a conta. E que conta!
INTERNET? ISTO NÃO LHE PERTENCE MAIS...
Uma conseqüência do preço exorbitante das ligações telefônicas será a exclusão digital, na contramão da tendência mundial de popularização da informática. Mais de 4,5 milhões de brasileiros (dados do IBOPE) acessam a web por meio de conexão discada, principalmente os usuários iniciantes e os que residem fora dos grandes centros.
Como é inviável navegar conectando-se por menos de um minuto, o acesso discado estará em desvantagem, para alegria dos provedores de conexão por banda larga. Por isso, algumas empresas de telefonia criaram um plano especial que permite a conexão por tempo ilimitado (ocupando o telefone e em baixa velocidade) pelo preço fixo de R$29,90 por mês, tabela válida até abril. Para depois, o preço é um mistério.
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