|
CCBB: homenagem com mostra de F.W. Murnau em seu aniversário de 120 anos
Uma mostra inédita no Brasil, batizada "Poemas visionários - O cinema de F.W. Murnau", com 12 filmes, será apresentada pelo Centro Cultural Banco do Brasil em suas sedes do Rio (29 de outubro a 9 de novembro), Brasília (4 a 16 de novembro) e São Paulo (19 a 30 de novembro). Clássicos do diretor expressionista alemão como Nosferatu, Fausto, A última gargalhada e Aurora integram o conjunto que tem obras de rara exibição no país, como Terra em chamas, Fantasma e As finanças do Grão-Duque.
A mostra comemora os 120 anos de nascimento de Murnau, que, com sua genialidade, abriu novos caminhos na cinematografia internacional, tornou-se um dos mais importantes diretores de cinema mudo e expressionista e até hoje inspira gerações de cineastas.
Em 28 de dezembro de 1888, nascia em Bielefeld, na Alemanha, Friedrich Wilhelm Murnau ou simplesmente F. W. Murnau. Com um olhar sensível e talento incrível, idealizou e criou, na Alemanha dos anos 20, importantes obras como Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (Nosferatu) de 1922, Der letzte Mann (A última gargalhada) de 1924, e Faust (Fausto) de 1926. Ainda em 1926, Murnau emigrou para Hollywood onde realizou três filmes, entre eles Sunrise (Aurora) de 1927 e City Girl de 1929/30. Sunrise ganhou vários Oscars na primeira cerimônia dos Academy Awards, em 1928. Insatisfeito com as limitações dos grandes estúdios de Hollywood, Murnau realizou o seu último filme, Tabu, em 1931, de forma independente, em colaboração com Robert Flaherty. O gênio alemão morreu no mesmo ano em um acidente de carro, pouco antes da estréia do filme em Los Angeles.
Em torno de Murnau permanece um mistério. É como se ele quisesse se deixar compreender tão pouco em sua arte quanto em sua vida privada. Uma dessas contradições está presente na escolha dos seus temas. Mesmo como diretor de cinema que dispõe de um instrumento da modernidade, ele recorre várias vezes aos anseios ou aos medos infantis (presentes em Nosferatu e Tabu). Quase nenhum cineasta de sua época comprovou ter tanto senso para as paisagens aparentemente intocadas e, ao mesmo tempo, para o espetáculo das cidades e sua arquitetura diversificada.
Isso torna Murnau um diretor cultuado pelos cinéfilos, motivo pelo qual os curadores Arndt Roskens e Cristiano Terto decidiram trazê-la ao Brasil . "Os filmes dele são indispensáveis objetos de estudo para todos os amantes e estudiosos de cinema e arte", afirma Roskens.
O objetivo do evento é atrair um público interessado na história do cinema e que normalmente não tem oportunidade de assistir filmes do gênero, sobretudo o trabalho de Murnau, uma vez que estas obras não são exibidas no circuito comercial e raramente têm espaço no circuito cultural, por se tratarem de filmes mudos e, conseqüentemente, de estética diferente das usuais nas últimas décadas.
A mostra "Poemas visionários - O cinema de F.W. Murnau", idealizada por Arndt Roskens e Cristiano Terto, é patrocinada pelo Banco do Brasil por meio da Lei Rouanet, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil e tem apoio do Instituto Goethe.
Fonte:
|